Eduardo Mãos de Tesoura, de Tim Burton, um dos meus all time favourites.
Decidi iniciar a minha nova rubrica com este filme não só pelo favoritismo pessoal mas também pela sua riqueza visual e estética.
O enredo passa-se num pequeno bairro sinistramente perfeito. As casas, os carros, os guarda-roupa dos seus moradores pintam-se de um paleta de cores diversificada e pálida que evidencia a monotonia e aborrecimento disfarçados que ali se vive.


As donas de casa, aparentemente muito desesperadas, exibem um estilo que poderemos designar como eighty's gone bad; a explosão de cor, tanto no vestuário como nos evidentes acessórios, os penteados que, de tão arranjados, se revelam desastrosos e o estado oleoso e mal tratado da pele associado a má maquilhagem.
Ora, no seio familiar do bairro destas senhoras, surge Eduardo, o monstro, vestido de negro, num fato recheado de apontamentos metálicos (com parafusos e fios metálicos) e consistência dura, quase como uma armadura. Vemos assim, um rosto pálido, ferido e assustado por debaixo de um cabelo mal tratado (efeito palha) e extremamente desmazelo. Uma figura aberrante e sombria que se revela ingénua e desconhecedora do Mundo.
O contraste é evidente. O preto surge associado ao breu, à noite, a sentimentos como tristeza e acontecimentos como a morte, contrariamente ao colorido que nos remete para dia, nos faz sentir alegres, satisfeitos e predispostos a.
Eduardo revela-se, numa fase inicial, como totalmente inofensivo e, como novidade que era, faz furor entre as donas de casa e familiares, incluindo a filha de Pegg (vendedora da Avon), Kim. Estes apaixonam-se e aproximam-se, até que as suas mãos causam estragos irremediáveis.
Kim surge como a Bela para o Monstro.
Na cena final, num vestido branco, Kim surge numa beleza inegável, de tez perfeita e rosto sublime que fazem jus à sua figura, num belíssimo vestido branco de princesa.
Nesta fase, temos uma dicotomia preto/branco. Duas cores, naturalmente, contrárias, que simbolizam o bem e o mal. Opostos que, nesta belissima estória, se uniram, até o destino o contrariar.
A cor revela-se como um dos elementos mais importantes do filme, na medida em que lhe confere a dose certa de fantasia e enfâse nas relações interpessoais. Apresenta-se ainda como indicio de fatalidade (o facto de Eduardo se apresentar negro num bairro de cor, por ex.).
També gosto muitoooo deste filme :)
ResponderExcluirxoxo*
A fotografia deste filme é lindissima. A palete de cores é fabulosa!
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